segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cranberries .

Bah. Em extremos. No fundo, eu estou bem feliz. Mas, apesar do dia não ter acabado, posso dizer que foi um tanto agitado e, hum, estranho. E eu estou ouvindo músicas que não ouvia há certo tempo. Isso é bom, eu acho. É realmente bem relaxante ficar cantando bem alto, em inglês bem ruim, para fugir do meu pequeno estresse cotidiano. Quero ver quando eu tiver um chefe e, enfim, tiver realmente responsabilidades. Vou morrer cedo!
Sabe, por um lado fiquei feliz pela semana que acabou. Putz, só tive provas... o clima realmente estava tenso. E eu passei considerável parte do meu final de semana estudando inglês para a prova do cursinho, que foi hoje de tarde. Sei lá, não vou dizer que foi agradável, mas pelo menos não me criticaram por não saber como é arroba em inglês (e eu ainda não sei). Provas orais me deixam nervosa. Como a maioria das coisas que exijam a minha exposição... Mas tudo bem, a tia (ela estava com um conjunto de lã cinza e rosa-cereja que deixava ela tão gorda e tão esquisitamente torta que, sei lá, eu não esperava realmente nada dela) fez perguntas razoavelmente bestas e não me dei muito mau, eu acho. Ela não tinha senso de
humor e eu demorei para perceber isso... enfim.
A prova escrita foi bem tri de fazer. E hoje de manhã eu me matei fazendo uns trecos em matemática. A Emily se irrita que eu risco tudo e, quem sabe, com minha falta de organização na folha de cálculos, mas ahh... sei lá, matemática é muito prazeroso. Adoro pensar que eu estou desenvolvendo meu raciocínio, haha. Não que o resto não o faça, mas nada tem o sabor de matemática. Números são legais, não são limitados. E até física anda me atraindo, pois veja só.
Na aula, aconteceu um teto estranho: foi no último período, quando uma moça de cara conhecida-mas-nem-tanto entrou na sala com um pacote de folhas de papel na mão. Ela é estagiária eu acho, faz Psicologia na PUC e resolveu cortar nosso período de jogatina (Can Can na aula de religião é o que liga!) para desenvolver sua dinâmica feliz de grupo. Pior que eu me emocionei por um lado, porque tratou-se de algo que só aconteceria no final do ano. Antes da formatura do terceiro ano, a psicocoisa da escola faz um daqueles encontros felizes, onde você diz para os seus coleguinhas o que achou deles antes de conhece-los, o que acha (de bom e ruim) e, enfim, é uma sujeirada. Todo mundo se odeia e resolve brigar
e fazer as pazes simbolicamente antes da cerimônia... é uma loucura.
A dinâmica consistia basicamente nisso. Cada um com sua respectiva folha, que circulava de mão em mão para os demais escrevem o que gostam em você e o que você deveria mudar. Foi, no mínimo, engraçado. Do meu lado tinha gente disposta a ferrar todo mundo e gente hum puritana, do bem, que não quer fazer falsos julgamentos. Sei lá, eu não deixei de ser sincera, mas segurei muito a língua né. Até porque meu caráter explosivo não combina com minha covardia... e não vale a pena dividir meus pensamentos com gente que não está nem aí.
Para umas três pessoas eu escrevi coisas realmente boas, ou disse que admirava ou gostaria de ser mais próxima. E, enfim, tem gente que eu desprezo tanto que nem consegui achar qualidades. Sim, eu falei um monte de merda pro filho da diretora. Que se dane o guri, ele é o mais idiota de todos. Teve gente que, sei lá, eu fui mais sincera do que eu gostaria, mas falando coisas legais. Depois que você lê o que escreveram de você dá vontade de recolher tudo e fazer como a Anita (ela dizia "blé" e botava um emotion do lado).
Não consta o nome de quem escreveu, mas você percebe pela
caligrafia, pela ordem das pessoas... Ninguém falou nada muito bom nem muito ruim de mim. Tudo igual. As velhas coisas que são ditas em amigo secreto. Um ou outro foi original. Eu desperdicei meu tempo catando adjetivos para os outros, mas fiquei feliz em dizer coisas para alguns. Bem infeliz e arrogante mesmo. Enfim, só me revoltei com um colega meu que diz que eu sou fechada. Porra, eu falo um monte de coisa todo dia e fico tentando puxar assunto. Mas enfim, ele deve ter dito isso pra todo mundo. É engraçado ver a repetição das coisas, em ordem invertida. Antes somente falso, mas não, é um conjunto de palavras falsas e mecânicas.
Hoje de tarde um velho sentou atrás de mim na hora da prova escrita. Ele podia escolher entre dezenove cadeiras, por aí. Mas não: ele resolve se espremer atrás da Ivy, crava vem o braço da cadeira nas minhas costas e fica lendo a prova em voz alta. Que saco, já não bastava a minha vontade de ir embora, tinha que ficar com um bafo internacional atrás de mim. Cochicho em inglês é o fim! Soa bem rabugento da minha parte isso, mas enfim. Na hora eu até ri sozinha da minha infelicidade. Ah sim, e hoje tiramos mais fotos horríveis na escola... daquelas em que um tio chato fica dizendo "ajeita o braço, sorri, tira o boné, vai pro lado, sei lá...".

Sempre que eu vou pros lados da Oswaldo Aranha eu volto a pé, ouvindo música. É tão bom... e daí compro doces pelo caminho. Eu ando com sérios problemas típicos de mulherzinha. Eu nunca fui assim, de pensar "olha, eu engordei" ou, enfim. Poxa, eu sento de perna aberta. Agora eu ando tão estranha com tudo isso. Naqueles dias em que nem a gente se pegaria, sabe? E nem me fale de TPM. Sei lá, eu pensei que eu mudei um monte. Me baseei no meu gosto musical, mas várias coisas mudaram. E eu fico triste por falar grego com algumas pessoas. Ou ter vontade de falar assim, para despertador - eu tava editando o texto e achei "despertador" no lugar de 'despertar'. eu sempre acho uns erros terríveis de gaguice e fico morrendo de vergonha depois - curiosidade.
Eu falei com um amigo meu onteontem, por um tempão. E foi uma das nossas melhores conversas, senão a melhor. E isso me fez pensar sobre as pessoas que, enfim, eu vou carregar por tempo indeterminado comigo. Não são muitas... a maioria das pessoas com quem eu ando eu conheci na escola. Sei lá. Eu fico até feliz por não ter muitos amigos "de fora". É menos preocupação. Eu me sinto tri mal quando passo um tempo sem dar ou receber notícias, apesar de saber que o laço está firme. É como se faltasse alguma coisa. Enfim, foi bom ter falado com ele.
Me rendeu algumas dúvidas, mas tudo bem. E ele vem de vez pra Porto, com a lady dele. Bem tri.
O final da terceira temporada de The L Word me deixou super pensativa. E eu vi The OC ontem, um dos episódios novos e, sei lá, ajudou para a minha depressão temporária. É tão ruim ver gente morrer de câncer, na ficção (imagina na vida real e enfim). E uma das garotas me preocupou um monte, com aquela história de "a essência é a mesma". Isso me lembra o Will falando, e ele mudou um monte. E me lembra uma série de pessoas, e eu penso qual é minha essência ou, enfim, eu fico dando voltas nesse assunto. Nem ando dormindo direito. Eu gosto de ir deixar razoavelmente tarde, eu gosto da noite. Eu deixo a janela aberta e fico olhando pro nada, com a claridade e tudo. É tão bonito, tão calmo, silencioso, prazeroso. Não tem música que descreva.
Eu vi hoje o pai de uma amiga minha no João Pessoa e desejei não ter dado oi. Foi o caso da comunidade de semi-conhecidos, que eu estava discutindo outro dia com uma pessoa importante. Sei lá e eu fiquei pensando nessas pessoas que te encaram no ônibus ou em qualquer lugar. Ou nessas velhinhas que puxam assunto, ou nessas crianças com roupas de inverno que já crescem tão esnobes. Sei lá, eu ando filosofando um monte. Eu penso na história que eu estava fa
zendo, da garota no vale dos cogumelos (não, não tem nenhuma referência com O Apanhador), e penso que o Francesco me mandou, por nada, uma figura tão legal de "gusgusmelos" que eu usei até alguns dias atrás num álbum do Orkut. Foi tão especial.
E eu andei conversando sobre energia, vampirismo, sonhos e todas essas coisas. E eu queria alcançar algum lugar, dentro do meu espiritualismo. É uma coisa que me fascina e intriga tanto... nossa, fico horas pensando about. Hoje eu quase entrei numa Igreja, pelo caminho. Mas estava cheia e não era hora de missa. E eu vi muitos carros e motos e coisas de polícia pelo caminho, e ambulâncias... foi bem estranho o dia. Igrejas me dão medo, são geladas e tem um silêncio que incomoda (diferente do silêncio cheiroso das bibliotecas). Eu entrei umas cinco ou seis vezes. Uma delas na catequese ou crisma da Carol, sei lá. A outra foi numa daquelas missas de sétimo dia, quando meu avô morreu.
Eu lembro que era sábado de manhã e eu estava tomando nescau com torradinhas, quando a mãe sentou na poltrona e, no meio de um programa de tevê qualquer, disse que meu avô morreu. Ah, que merda. E eu tinha pedido pra ela desligar o telefone na noite anterio
r, para ninguém ligar e incomodar. Enfim, foi horrível, péssimo momento... ainda que não exista um bom momento para saber da morte de alguém. Eu ia num show de noite, Capital Inicial eu acho. Nem fui. E ficou uma pá de gente me ligando do nada. No fundo, é uma merda. Puro egoísmo. Quem morreu foi o cara. Deveríamos chorar a despedida, não a nossa dor. Porque quem morreu foi ele, não a gente. E, apesar do hnm carinho, sei lá. Eu me sinto mal com abraços de pessoas com quem não tenho proximidade.
Sei lá, filmes de Igreja são legais. Tem padres fodas, suspense, heresias, são legais. Eles cantam coisas sombrias. Quase o cantos dos 13 Fantasmas, no filme - que, por sinal, eu não curti. Eu me sinto estranha na verdade, em igrejas. Não é exatamente uma sensação ruim, só que eu me sinto mal. É como se eu não pertencesse aquilo e fosse muito pressionada para pertencer. Ou então você vê as imagens e os adornos tão ricos... sei lá, não combina. É uma coisa tão primitiva e européia, não sei como resiste até hoje. A Fé das pessoas não precisa disso. E, sei lá, os próprios padres. Por mais que uma religião, um templo possa oferecer, não acredito que eles sejam felizes. Você não pode viver só de uma coisa. Não dá pra se sentir amado sem conhecer
o oposto disso primeiro.
E eu fiquei pensando no período dessas férias de verão. Sei lá. Foi legal ter ficado sozinha mesmo, em vários sentidos. Grande parte do que eu sou agora eu construí nesse pequeno intervalo de tempo. Foi legal ir em festas realmente esperando nada. Tipo sair de casa sem nenhuma preocupação, sem nem sentir o prazer que a ansiedade pode vir a trazer, simplesmente indiferente. Quando você não espera muito de alguma coisa, a decepção ganha pequenas probabilidades de acontecer. Mesmo que durante a festa a coisa mude de figura, foi bom.
Eu ando ouvindo muito Cranberries e Sixpence None the Richer. Essa última banda, na verdade, tem umas musiquinhas com mensagens bem hum "de Messias". Sei lá. mas é legal encarar isso pelo outro lado. E são músicas com letras, eu me encaixo e isso me faz bem. Tipo Sonata Arctica, Dashboard Confessional e Belle & Sebastian. São bandas com músicas muito "Ivy's". São músicas que até me deixam triste, mas me confortam. Tipo a primeira vez que eu ouvi falar de RPG. Mesmo que eu não jogue ou coisa assim, foi realmente bom saber que existiam outros seres felizes como eu.

Oasis também é bom. Sei lá, lembrei hoje da minha antiga professora de inglês da Wizard. Ela era fã de U2, do Bono e essa coisa toda. E eu tinha um colega que gostava muito de Coldplay. Eu me sinto mal, porque Coldplay tem músicas que realmente têm significado pra mim, só que me irritam às vezes por causa desse guri. Se eu não gosto de uma pessoa, procuro desprezar tudo que possa vir a lembrar ela. O lance do Bono foi ao contrário. Eu tenho amigos que gostam dele e tudo, mas sei lá. A pose de caridoso dele não me convence. A mulher quase pulava em cima de mim quando a gente ficava dialogando sobre sorte, otimisto e, sei lá, solidariedade. Eu lembro dela dando uns argumentos muito ruins e louvando o Bono, para criticar a índole da Madonna. Eu nem sou fã da Madonna, mas eu defendi ela. Fora que ela disse que eu só vestia preto e deveria deixar o amor penetrar na minha vida, algo parecido.
Por sorte, ela arranjou um quarentão para levá-la embora da casa da mãe dela. Eu queria dizer nada. "Deixa o amor entrar na tua vida, sua mala. Aliás, abre beee
em a porta... isso, tu me entendeu muito bem." Não que eu não acredite totalmente no 'power of love', mas eu me estresso quando eu estou no meu canto e chega alguém querendo pregar alguma coisa. E eu não acredito em sorte. Desde que o mundo é mundo e nada é por acaso a sorte não existe. Não me venham com pesquisas e provas, não vou nem ler. E o cara que gostava de Coldplay nem honrava a banda, porque ele era do tipo que tinha cd's de toda e qualquer banda de pop meloso que conseguisse colocar uma música pra tocar no rádio.
Às vezes me dá um nojo de todo mundo. E, hoje, quando eu estava voltando pra casa, me deu uma vontade desesperada de chorar, sei lá. Me jogar numa moita e me esconder de todo mundo. Eu lembro quando a minha mãe começou com umas crises, do tipo "filha, acho que estou com síndrome do pânico", e ia no psiquiatra. Eu sabia o real motivo dela precisar de ajuda, e era uma merda não poder chegar e conversar. Ou quando meu pai estava todo depressivo e blá. Daí ele se jogou em médiuns e coisa e hoje é um pagodeiro feliz (isso foi uma merda, porque ele escutava bastante rock; mas vale pelo outro lado). A minha avó é a mais emociona
da. Ela quer que eu procure ajuda para parar de roer unha, quer me benzer, quer que eu vá em psicólogos espíritas e me diz "use camisinha". Eu já não sei de mais nada.
Fiquei feliz por baixar "Fur Elise", do Mozart. É a música da caixinha, que era da minha outra avó. Foi uma história loser, porque ninguém se prestou a me contar direito a história da morte dela. Até o nome, de verdade, eu descobri há um tempo atrás. Ainda que seja o repertório de várias caixinhas de música, sei lá. Era tão única. Tocava tão alto, e tinha uma bailarina dentro que girava. Eu quase me matei quando eu quebrei a bonequinha. E ela não toca mais. Mas é linda. Por fora tem umas coisas chinesas, acho que uma mulher e seu guarda-chuvas florido, não lembro. Faz tempo que não olho. Eu lembro de ter uns quatro anos e ficar segurando bonequinhos de gesso, como se mostrando para o céu. Eu falava um monte com minha avó depois que ela morreu. Eram bonequinhos de gesso do "Circo da Eliana".
Sei lá porque eu estou dizendo isso. A verdade é que eu estou com medo.


sexta-feira, 13 de julho de 2007

TPM

Eu escutava "Julho de 83", do Nenhum de Nós, e ficava realmente esperando que os meus quinze anos não passassem. Só porque tinha um trecho na música em que o cara dizia "eu tinha quase dezesseis...". Depois de um tempo eu vi que isso era simbólico mesmo, porque eu continuei ouvindo a música com o mesmo sentimento, senão maior. E eu fiquei pensando um série de coisas hoje, mas que vou guardar para quem realmente merece ouvi-las. Não é que sejam assim muito espetaculares nem nada, mas sei lá, significam alguma coisa pra mim.
Eu fiquei prestando a atenção no que eu ando fazendo com o mundo ao meu redor e, de repente, fiquei com medo da redoma. Semi influência de uma outra música, dessa vez "Ode to my family", do Cranberries. Sabe, às vezes eu penso que nas minhas tentativas de, sei lá, me afastar de tudo eu fui longe demais. Virou um misto de claustrofobia com síndrome do pânico, para ser mais precisa. Eu não quero ficar trancada, sozinha, mas também não quero estar lá fora... pessoas.
E se aquela história de se tornar insensível for realmente verdade? Eu tenho medo de ter matado parte de mim com isso. Mesmo que eu saiba que nada morreu, enfim. Eu dormi pouco essa noite; fiquei rolando na cama e pensando na vida. Eu nem lembro da última consulta, mas eu poderia dizer que foi uma das mais importantes. Não pelas conclusões quase óbvias da mulher, mas porqu
e tiveram vários momentos em que eu realmente tive de me questionar. Ou, pelo menos, enfrentar o olhar de outra pessoa sobre mim.
Sabe, não que a gente devesse se importar, mas uma vez na vida tentar entender as visões de outros indivíduos sobre a minha pessoa, sei lá, é necessário. Para se conhecer mesmo. Porque você é a soma do que você é, interiormente falando, e de como você está, ou seja, o que seu exterior diz. Eu demorei vinte mil anos para entender que "to be" era uma coisa só, com o significado de "ser, estar" e talvez a demora tenha rendido em alguma reflexão.
Hoje é um daqueles dias do tipo "eu não pertenço a esse lugar". Comecei o dia com uma prova de literatura, que não estava agendada... É sério, eu tive que trocar de classe umas sete vezes só nesse período. Num dia qualquer eu teria me irritado muito, mas - sei lá (pela vigésima vez) - hoje foi tão diferente. Atrás de mim estava sentada uma garota, e atrás dessa, uma outra terceira. Era só passar para a fileira de classes do lado, mas todo mundo é incapaz de exercitar os glúteos no i
nverno. No verão também, lógico. Gentileza é uma coisa que não funciona o calendário inteiro.
Já não bastava a guria de trás não ter feito o pequeno esforço, visto que a merda da classe estava mais próxima dela (em vários sentidos...), ficou muito tempo reclamando como se fosse a vítima. Bah, mas se existe alguém que eu realmente abomino é essa guria. Eu sei que eu reclamo e que faço várias besteiras, mas o dia que eu ficar parecida com ela, por favor, me enjaulem e me joguem no mar. Sem pensar duas vezes.
Falta pouco tempo para o vestibular e eu fico impressionada que as pessoas, na minha turma, que mais colam nas provas são aquelas que fazem cursinho ou coisa parecida. E conseguem ir bem mal. É uma alienação incrível. Tudo bem, eu sou realmente careta e chata com essas coisas. Eu realmente odeio "malandros" e me sinto muito desgostosa por viver num país culturalmente conhecido por essa palavra. Com excessão de castigos tipo a palmatória, não me importaria que minha escola fosse bem mais rígida. Mas com uniformes japoneses, por favor, nada de bege-cocô com bordô.
Ontem, apesar de tudo, eu me senti sei lá, deficiente, com o
gato. Era o caso da pessoa com quem eu não sabia ser doce, que uma vez eu citei aqui. Não sabia e ainda não sei. É uma das pessoas que mais me desarma. Às vezes eu enxergo como um caso perdido, ou então eu percebo o elo que existe... não exatamente entre nós, mas com tudo o que está ao nosso redor: são pessoas realmente importantes para ambas as partes, que eu me arrependo de não ter conhecido antes. Sabe, eu me sinto uma intrusa de vez em quando. É o caso do "eu não pertenço".
Eu não posso negar que deixei um pouco de lado meu afeto por esses bichanos depois de tudo. O gato passou a ser um gato e, dentro disso, eu deixei de lado parte da minha identidade. Nos conhecemos há bastante tempo, antes de todos. Antes das rachaduras acontecerem, eu poderia dizer que nosso vínculo era realmente forte. A semelhanças eram muitas... eu não gostava da comparação, ora por ser algo realmente chato, ora por me sentir inferior, ora por prezar a diferença. Mas gostava do gato, ah se gostava!
Enfim, rachou. Isso nunca vai mudar, já foi discutido mas nã
o sei se haverá um consenso. Aos poucos está sendo reconstruído o castelo. Mas castelos assim são de cartas - e elas voam. Eu não sei ser doce, já disse. Me sinto culpada por não passar a sensibilidade, a delicadeza que o gato merece. Eu sou vulgar, minha fala é ríspida, eu pareço a pessoa mais fria e sebosa do mundo quando eu tento ser espontânea e divertida e não consigo. A Anita chama isso de "lado hetero da Ivy". Não por ser hetero, mas por que eu encarno um homenzinho nojento. Enfim.
Eu me sinto como se estivesse pisando em solo inimigo às vezes, como se a bandeira que eu estivesse carregando não representasse o meu brasão. Sei lá, o gato é tão querido. Foi nesse ponto que eu falei em inveja. Mas eu refleti e não é isso. Não desejo o mal do gato, em hipótese alguma. E até passei a gostar da hipótese do gato ser um gato. Só que o que, ao meu ver, nos divide, é a importância que damos às coisas. Razão x Emoção. E, claro, vários outros detalhes que envolvem terceiros...
Várias coisas que eu fiz tiveram um segundo sentido. Cor
tar o cabelo, não colocar piercing, evitar certos hábitos. É estranho quando uma pessoa bem parecida com você está por aí, nas ruas. E eu me sinto sem um lugar, como se o que eu estivesse fazendo o mesmo que me aninhar na cama do gato, no lugar dele. Não quero as mesmas coisas, não quero promoção, eu realmente prezo a individualidade. Já aconteceram situações diversas, onde eu em senti no papel de substituto, onde eu tinha que proteger o gato. Mas nós não temos mais abertura para isso; eu sinto receio, ela sente o cheiro.
Isso me deprime, não quero falar disso. Queria poder acreditar que tudo vai melhorar, mas eu não vejo um futuro muito bom. Ainda mais com direções tão opostas... mas sempre no mesmo sentido. Sei lá, eu me sinto sozinha nesse ponto. Eu me sinto um lenço de papel, tipo um brinde de uma embalagem de papel higiênico: todos iguais, juntinhos, felizes. É como se tudo que eu fizesse fosse ser comparado ao que o gato faz. Não quero ser e não sou melhor. Nem pior. Apenas poder estar no mesmo plano. Mas eu já nem sei o que é isso. Faz tempo que eu não sei.
Falta o último episódio, para eu acabar de ver a terceira
temporada de L Word (eu demorei, eu sei). Daí pego a quarta e, enfim... é esperar o resto. Foram bem tristes esses últimos. Daqueles em que você se identifica com todo mundo, e todo mundo está cheio de problemas. Sabe, eu quero poder fechar os olhos, respirar o ar gelado e ficar horas nessa felicidade. Mas sozinha eu não consigo. Vou pedir ajuda, comprar um martelinho e fugir da redoma. Esses fantasmas não me fazem bem.
Cheguei em casa e a minha mãe disse tudo errado. É a típica situação em que você pensa "ah, ela não tem culpa", pensa que ela está estressada ou preocupada, mas não deixa de ser a situação em que ela deveria ter ficado quieta. Eu não sonho com crianças, tampouco quero que elas assistam meu casamento acabar. Eu não aguento mais ouvir que "ser filho de pais separados deve ser muito bom. você ganha mais presentes, tem duas casas" e segue uma lista de coisas bem toscas. Ah sim, você passa a ser um mimado e coisas assim.
Poxa, o que eu faço é ouvir sermão em dobro, aturar os dois brigando quase sempre por minha causa, ter preocupação e pressão em dobro. Se um deles erra, o alvo sou eu. É uma merda simplesmente ser mencionada como "a tua filha". "Nossa filha" não existe mais, esse é o
peso. Existe a culpa por você ter acreditado que seria melhor assim. Mas não é. Eu não gosto dessa coisa de vida dupla, porque é desequilibrado. Eu vivo com minha mãe, o meu pai é meio ausente. Mas, por conviver com ela, é que eu reclamo dela. Logo, não tem lógica.
Com isso, eu aprendi a fugir das coisas antes que elas virem um problemão. E aprendi que "Sessão da tarde" não passa daquela seqüência semanal de filmes... essas histórias sempre são mágicas, mas nunca são reais. Sei lá, depois disso as coisas que mais me afetaram foram, sei lá, relacionadas as tentativas de poder dos outros sobre mim. Eu cresci sozinha, nunca vou me encaixar com um ambiente cheio de pessoas. Quatro pessoas, três... já é o suficiente pra eu fechar a boca e perma
necer assim eternamente. Doses homeopáticas, por favor.
Eu não quero ser mega sociável, não vejo porquê nisso. Eu não vou ser natural com o plural. Eu sou ímpar, não tenho porquê para perder minha natureza. Tentar fazer com que eu conviva com pessoas é o mesmo que me fazer andar por um trampolim, para fora do navio. A mulher disse que a distância vem da independência, que nada mais é do que medo.
Eu sinto medo das portas que eu criei, cuja chave eu engoli. Eu me sinto realmente mal, a ponto de sentar no chão e não ver o tempo passar. Por outro lado, é o momento mais feliz pelo qual eu estou passando. Tipo aquele sentimento de euforia que só te traz certezas, que só te afasta de todo esse lado mofo do dia-da-dia. É como se eu pudesse deitar a cabeça no travesseiro e realmente dormir tranqüila, porque eu confio de olhos fechados (literalmente também) em tudo o que está acontecendo, na força que existe entre quatro mãos que se cruzam, frente a frente. Olhos nos olhos. Gostaria realmente de dizer o que eu queria dizer.
Sei lá, sou a pessoa mais feliz do mundo. Porque felicidade não deixa de ser um acordo entre o Bem e o Mal. Yin e Yang.


sábado, 7 de julho de 2007

Esclarecimentos

Eu disse que não ia gostar da definição de 'chorão chato'. Nem do texto inteiro. E eu odeio falar de homossexualismo do jeito que eu sempre acabo falando. Eu não sou homo nem nada, mas enfim, por mil motivos gosto tanto de defender isso. É um dos fatores que me afasta ainda mais de algumas religiões. Eu fiquei pensando nisso hoje... "pense como um humano, não como um deus". E pensei na história das quotas (pausa para pensar se o certo é Cotas ou QUotas) aquelas, da UFRGS, para estudantes de escolas públicas e negros. No caso das escolas tudo bem - pensando, claro, que o Tiradentes, o Militar, o Aplicação, enfim são escolas bem fortes... mas, em todo o caso, tudo bem. Enfim, eu me exalto um bom com essa história. Os caras estão assinando um tratado de inferioridade para supostamente corrigir um erros de, sei lá, 400 anos atrás. Que belezinha, duas chances para ingressar... boa sorte.
Voltando ao assunto arco-íris, sei lá. Eu vi no jornal uma crítica sobre um seriado (The L Word) lésbico e tal. Eu acho um absurdo como as pessoas são incapazes de serem neutras ou abrirem a mente uma vez na vida. Aquilo lá não passa de uma novela com cenas de sexo. Óbvio que isso garante boa parte da audiência, mas não é só isso. O roteiro mesmo é bom. As pessoas têm problemas "normais", como os de todo mundo. O mundo não parou porque a história se passa em um gueto povoado por glbt-people (tá, simpatizantes também...). Reclamaram pelas cenas de
garotas se pegando mas não pensaram na história toda. Fora que, enfim, isso está longe de aparecer na Globo em horário nobre. Ficaram naquela idéia de que não passava de exibicionismo, algo do tipo 'olha pra mim, eu sou lésbica'. Primeiro que o seriado foi feito pela mesma tia que fez 'Sex and the city' e aintenção foi realmente dar uma opção para o mundo de garotas que gostam de garotas, centrando exatamente nesse ponto e não naquele conceito de 'temos que atrair homens (heteros) com isso'. A segunda coisa é que, por favor, ninguém te obriga a ficar coçando na frente de tevê para ver isso. Ai ai.
Parada Gay é outra coisa. Olha, já foi um movimento político e coisa assim, mas agora é um nojo. É exatamente aquele dia em que os reprimidos se revoltam e ficam esfregando na cara dos que não gostam (não entendem, não aceitam, enfim). Tanto é que quem fica lá nos microfones gritando, sei lá... apesar de ser engraçado, é uma merda. Claro que a idéia de 'liberte-se' é o que vale, mas sei lá. Daí surgiu a parada do orgulho hetero e muitos caras do mundinho homo não tolera. Pois é, os direitos iguais começam aí... Não precisaria ter isso de 'orgulho'. O fato de (pausa porque eu descobri que cavalos totalmente pretos são maisquelindos) você gostar de um sexo ou de outro não te põe num pódio. Isso é tão babaca. Eu fiquei vendo sobre os fatores que os diferentes profissionais apontam pra esse "fenômeno não natural". Tem o bagulho da química do corpo humano, que eu não saberei reproduzir, mas
acho muito válido, o fator 'é um filho do capeta', que eu realmente não digo nada, e o fator psicológico mesmo, que daí tem milhões de versões. Sim, devem ter mais outros fatores, mas eu me prendi no psicológico mesmo. Abuso sexual, brincadeiras inocentes infantis, pais separados, problemas em geral com a família, insegurança, enfim... tudo varia muito. A Anita briga comigo, mas eu realmente adoro isso. Sou bem chata com essas coisas de 'nada é por acaso'.
E daí eu fiquei pensando coisas soltas... "as minorias são maioria", "o mundo seria bem melhor se fosse feito de bons e não de melhores". E é bem real isso. Competir o tempo todo, para qualquer coisa... qual a moral? Isso me lembra as palestras de Marketing que eu tanto odiava. Lalala os concorrentes, temos que ser os melhores... Sei lá, eu ando cagando pra publicidade na verdade. Não quero viver num escritório montando planilhas. Cara, eu acho que fiz umas setenta folhas em uma semana, para o relatório de vendas. Fora os textos sorridentes. Sorridentes porque são textos falsos, extra comerciais, cuja função é realmente essa. Foi uma experiência, uma ficção... mas é a típica coisa idiota. O cara que lê já sabe que vai ler algo bem cínico e cheio de elogios, já está preparado para avaliar exatamente esse grau de promoção das coisas. Isso me lembra as rodinhas de discussão, onde eu sempre fui infeliz. Não digo sempre, afinal eu tive um dia iluminado e consegui falar na frente de um determinado número de pessoas e conseguir votos para ser uma das diretorinhas. Que meigo isso. No final, foi algo bem fudido. Palavrões,
ein. Porque eu sou malvadona e porque não tem como explicar de outra forma mesmo.
No fundo, o que realmente estragou toda a alegria da miniempresa foi a convivência mesmo com as pessoas. Imagine que logo nas primeiras sessões aconteceu aquela típica situação (na época não tão "típica", afinal não tinha acontecido exatamente isso comigo e portanto não acreditava que era algo "típico") onde a garotinha A, que não desgruda da garotinha B, e a garotinha B rompem seus laços de amizade. Tipo você tem uma "melhor" amiga e de repente vocês viram inimigazinhas. Bem infantil meeeesmo. Mas enfim, powerguido, dona Ivy! Não vou dizer que foi algo fácil, na verdade foi bem horrível... mas necessário. Parece dramático isso, mas depois de tudo não sei mais onde se via amizade naquela relação. E daí eu fiquei lidando com pessoas naturalmente desagradáveis e pessoas (e auxiliares morais) com quem eu já cheguei a manter certo grau de intimidade. Foi uma merda. Pelo menos votaram em mim, mas foi uma merda.
Eu ando pensando nisso, de "melhor" amigo e de como surgiu minha revolta pela humanidade. Eu realmente desprezo várias coisas - e com orgulho, o que é pior. Eu sempre classifiquei (não necessariamente expondo isso, mas enfim) a Carol Jacobi - a loira bonita com o dobro da minha altura - como, sei lá, "minha best", como adoram dizer no orkut. Eu acho chato quando você anda com um grupo de pessoas e existe uma divisão dentro disso daí
mesmo. Mas acho ques empre acontece. Sim, eu geralmente sou excluída. No máximo formo uma duplinha com alguém. Sempre tive infelicidades com trios... Daí eu pensei que não gosto de classificar não só porque é algo besta, partindo do ponto que amizade de verdade é Amizade... não deveria existir um grau disso. É seu amigo ou não é. E ponto. Mas pensei também que não tenho ninguém, pelo menos atualmente, que diria "a Ivy é minha melhor amiga".
Abertamente falando, talvez a Thays dissesse. Daí, como "eu não teria ninguém" eu não gostaria de ter que nomear alguém. Mas, passado o drama, já disse que não acho necessário.
Amigas mesmo, sei lá. Digamos que existem umas quatro que eu realmente pensam que vão se importar comigo. Garotos, sei lá. Apesar de eu sempre ter mais afinidade com eles mesmo (voltando ao tema de que mulher é cobra e que garotos sabem diversificar assuntos - com exceções, é claro), foram amizades bem mais hnm 'intensas' mas que agora já não brilham mais. Tipo algo temporário. Por um ano o cara é teu irmão, depois sei lá. Pelo menos não perdi o contato com eles. E sempre que nos falamos fica algo legalzinho. Mas enfim, as pessoas mudam e essas coisas afastam bem mais meninos do que meninas. Nem tenho provas concretas, mas é o que eu penso. E mesmo o Shao, com quem eu tenho uma relação realmente de Artur e Morgana, sei lá. Eu tenho medo de vir a cagar tudo, ao longo do tempo. Mas é uma relação em que eu realmente acredito. Ponho mãos e pés e enfim no fogo.

Eu falei da Thays ali em cima, mas não quis menosprezá-la nem ser arrogante. Na verdade eu falei dela pra minha psicóloga e depois falei algumas coisas para o Bruno e, enfim. Eu sinto que disse tudo errado, da maneira errada. Na boa, o que eu já vi e ouvi de gente logrando é guria é horrível. Eu voltei para casa, no carro, pensando se citava o nome de pessoas aqui ou não e pensei que, enfim, já é algo bem conhecido para as pessoas do meu círculo, então não faz sentido fazer isso em linguagem tão indireta. Até porque eu sei quem lê esse blog.
Eu sempre disse que tenho uma relação de amor e ódio com ela. Ela quebrou minha redoma. É natural se sentir atingido. Foi há um tempão, quando eu achava que o mundo era laranja e belo. Naquela época em que você, "pré-adolescentezinho" de merda, sofre as tranformações da idade, os primeiros problemas com amorzinhos, se mete em mil confusões por tentar ser neutro, pende para um lado e se ferra mais ainda. Daí uma guria com quem você nunca teve contato, além de saber que ela é da outra turma - do mesmo ano que você - da sua escola resolve ser sua vizinha. Legal, ela dubla músicas internacionais e dança naqueles festivais toscos de talentos. Tudo bem, eu cansei de dançar Sandy e Jr. com a Carol - a loira, ui! - ou sei lá coreografias toscas de musiquinhas da moda. Mas enfim, a garota da janela da frente agora vai tentar fazer parte da sua vida.

Sem nenhuma exceção, eu só ouvi coisas trouxas quando eu falei o ocorrido com algumas pessoas. Eu também não ia muito com a cara dela, mas no fundo sempre foi algo meio intimidante. Puxa vida, ela escuta todo mundo avacalhando ela e continua subindo num palco toda alegre. No mínimo, eu ganharia uma companhia para estudar, sei lá. Logo passamos a pertencer a mesma turma e, apesar do início de uma amizade ser sempre algo desastroso, foi tudo tão legal. A sinceridade dela me impressionou um monte. Puxa, ninguém me criticava tanto. E, bem nesse momento, as coisas da idade. Sabe, era como falar sozinha... porque ela não dizia mesmo coisas realmente construtivas o tempo inteiro mas, sabe, ela me ouvia. Além de observar e fazer caretas, ela realmente ia além. Isso foi algo realmente bom. Aos poucos, uma aprendendo a fazer parte do mundo da outra, se tornou algo legal.
De repente eu tive que aprender a lidar com o dobro de situações infelizes. Além de ser a Ivy, eu era a amiga da Thays - como se isso fosse algum pecado. Sabe, se tem alguém que realmente sabe sonhar é ela. Não falo isso com nenhum quê de tristeza ou pensando 'putz, como ela é ingênua'. Ao contrário, cara. Se tem uma coisa que ninguém é lutar pelos sonhos. Não como ela faz. Mas enfim. Então, eu fui crescendo, me revoltando com coisas
banais - como sempre - e, ao mesmo tempo, procurando criar pra ela um escudo. Com isso, eu virei uma tentativa de mãe dela por tabela. E, sabe, até hoje ela é a garota que sobe no palco para receber tomatadas. Nesse ponto, é algo que eu realmente acho infeliz, porque nunca consegui fazê-la entender a diferença entre elogios e piadas. Mas é algo que ela vai aprender com o tempo, eu já não posso fazer nada... Não que eu seja responsável por tudo isso. Na verdade já briguei muito com várias pessoas por isso.
Eu me estresso com isso, na verdade. Eu brinco com ela e falo coisas aparentemente arrogantes pelas costas mesmo, mas sabe... isso não é um direito meu - óbvio que não. Só que - e agora sim eu vou falar como a pessoa mais arrogante do mundo - eu sou amiga dela. Sou e sou. Eu sei o que se passa, eu sei o que ela pensa, o que pensam dela, eu tento ajudar, eu sei lá. Eu fico puta quando vejo que a inocência dela é tamanha que ela não entende o que está por trás do sarcasmo das pessoas. Sabe, eu era que nem ela - igualzinha - até começar a 'andar' com ela. Foi um espelho. Eu vi coisas que não via antes e isso me possibilitou abrir e fechar muitas portas. Sabe, correr atrás de amigos ou ouvir tudo o que lhe dizem é algo que não existe mais. Tentar agradar quem não está nem aí não existe mais. Você não tem que seguir um padrão se não concorda com ele. Mas não tem meeesmo!
O fator ódio e amor vem daí. Encarar a realidade com seus nuances de cinza é algo bem ruim e, de certa forma, bem raro. Eu gosto de cuidar da Thays porque, ao mesmo tempo em que eu dou marteladas na redoma dela pra ver se
ela acorda, eu sei como ela se sente e não desejo que acorde. Não que eu tenha uma vida dramática. Na verdade eu só ganhei fama de vagabunda por umas coisas completamente babacas. É bem engraçado pensar nisso, na verdade. E são os mesmos rostinhos "meigos" que eu vou desejar não ver nunca mais. É sério, a escola é um ambiente péssimo. Claro que existem momentos onde eu gostaria de não ter esse apego emocional com essa garota. Na verdade ela nem entende isso, se é que eu já falei algo. Mas eu sei que ela me considera bastante. Seria estúpido da minha parte dizer para ela "largar de mão" seus coleguinhas abobados, que só tiram da cara dela e ficam vinte anos rindo da mesma piada. Mas, com o tempo, eles passam. Sim, eu desejo isso, por mais egocêntrica que pareça a situação.
A psicóloga ficou confirmando minha culpa em relação ao tratamento que eu dou pra guria. Não é exatamente uma culpa, mas uma espécie de gratidão. Até porque o que ela fez foi muito indireto, na inocência total, sem nenhuma intenção. Ela não iria prever que eu me tornaria tão ranzinza quanto um velho chato de setenta anos. A minha má vontade com todo mundo surgiu do momento em que todos cobravam de mim coisas que não me pertenciam. Ao longo do tempo, passei a tentar me afastar de todo mundo. E não gosto de manter um círculo de amigos muito extenso, principalmente se são grupos com pessoas em comum. Fora que eu sempre tentei preservar minhas
relações maisqueamizade. Preservar dos meus amigos. Não por medo de nenhuma das partes, mas porque eu gosto de ter as coisas organizadas do meu jeito, de ter meu abrigo, meu yin yang sempre ali. É tão mais seguro ter dois lados para correr, ainda que um namorado ou coisa que o valha seja seu amigo. E ainda que seu amigo tenha uma importância extremamente grande. É legal quando a pessoa com quem você "está" é do mesmo grupo de amigos que você. O fim da relação pode ter uma tragédia ainda maior, mas é bem legal.
Não gosto quando uma das partes quer interferir na outra. Eu ainda preservo um espírito de monogamia, mesmo que eu não tenha seguido à risca isso. Então, a partir do momento em que um casal é composto de duas pessoas, não pode existir influência de uma terceira. E, enfim, meus amigos são meus tesouros - mesmo que eu ame minha solidão. Não gosto quando me sinto invadida, sei lá. Quando existem aliados eu fico bem apreensiva. Mas eu nem sei porque fiquei falando disso agora. Sei lá, meu passado é tão presente no meu dia-a-dia que nem seria loucura pensar nisso agora. Como eu gostaria de poder ter a coragem e a audácia que eu não tive. Odeio ser passiva quando me dá vontade de gritar e dizer o que eu penso. Mas enfim, creio que agora fazer a Ivy ouvir quietinha seja bem mais difícil. Ou não, né, não vou me fazer de mulherão aqui.
Ah! Chorão chatos... Bem, eu retiro oficialmente o termo (eeee! gritos de alegria). Ok, o problema não está na sensibilidade mas na parte afetuosa e criancinha da coisa. A sensibilidade é algo pessoal, você nunca vai poder
checar a intensidade disso de ninguém, senão a sua. A pessoa pode te dizer que não guardou mágoas nem nada, mas você nunca saberá se isso é verdade, o quanto a coisa a atingiu de verdade. Eu não gosto é de apelo emocional, pessoas que quase te obrigam a retirar o que foi dito porque fazem birra ou choram ou, enfim, te desarmam de algum jeito. A emoção vence a razão. Isso não existe, cadê o lado racional do ser humano? E existem pessoas que agem com essa espécie de escudo o tempo inteiro e é delas que eu não gosto. Não importa o que você disser, elas sempre te olharão com olhos suplicantes e falsos a fim de te fazer engolir seu sermão.
Ah, eu já me fiz muito. Mas me ouviram de verdade quando eu disse barbaridades sobre mim mesma, bancando a dona da razão. Pena é algo realmente infeliz. E as pessoas têm mania de admirar pessoas "boazudas". É, pensar nisso é algo bem deprimente. A sensibilidade de verdade, purinha e meiga, é bem rara, sabe. Por isso que pessoas que preservam sua emoções são mais legais. Não é esconder, é preservar. Não é preciso expor tudo o tempo todo, bancar o forte e insensível. O negócio é que já deixei de fazer o melhor em diversas situações para evitar que pessoas nem tão importantes chorassem ou coisa do tipo. Escândalos são tão desnecessários. Nossa, me senti vazia agora. Quem sabe falei demais.
Eu ando pensando no que fazer da vida e coisas assim, de maneira bem melancólica na verdade. Eu não sei se,
dentro da psicologia, quero mesmo ser uma psicóloga feliz. Eu queria mesmo era lutar por uma causa. Mas eu tenho tempo para isso, tenho mesmo. Daria para trabalhar na área criminal, sabe. Mas eu não acho que gostaria dos brasileiros. A gente olha aqueles programas americanos de investigação ou as entrevistas que fazem com assassinos em série e baba. Mas aqui, sei lá. Parece que é tudo por algum motivo aparentemente ignorante, ou a desigualdade social. Sei que é ignorância da minha parte dizer isso, mas é o que eu sinto. Não sou nacionalista. Tem os esquizofrênicos queridinhos, "amores da Ivy", e tem o caso do garoto do Sexto Sentido. Ele não é ninguém, mas eu sonho com um garoto como ele. Não para descobrir que eu estou morta, mas sei lá.
Eu tenho medo de deixar os doentes doentes, de ser anti-ética. Espero que quando forem checar minha ficha não leiam isso (hahaha). Tá certo que o seriado das lés sempre me deixa pensando na vida. É péssimo, você desliga o monitor pensando que vai chegar na esquina e a primeira mulher que aparecer vai te agarrar. Então você acorda e vê que não passa de ficção, que existem possibilidades mínimas disso acontecer e que - momento broxante - estamos no Brasil. Aqui pode não ser o pior lugar do mundo, mas enfim. Não que eu pense que seria diferente em nenhum outro lugar. No fundo, se morasse na França, diria o mesmo. Eu penso nas conversas que eu tive com o Mad sobre sexualidade e penso que no que um merda declarou sobre uma Lei que proíbe pessoas de criticarem o
homossexualismo. Imagine que o cara disse que é certo defender crianças, idosos e mulheres de críticas, mas que os homens não - pois são mais fortes para lidar com as conseqüências de seus atos. Óbvio que a lei não deve existir, afinal as pessoas têm direito de ter suas opiniões, visto que não vivemos em uma ditadura... só que enfim, o cara quer ganhar um atestado de permissão para tirar com caras que dão o cu. Em que ponto a coisa foi chegar? E eu fiquei lendo um artigo sobre pornografia na internet. Sim sim. E, de fato, o material lésbico é direcionado para homens heteros. Não existe nem muito espaço para ser feliz nisso (hahaha). O Kamasutra lés que fizeram ficou bonito. Só isso, bonito. Porque as fotos foram feitas completamente com o intuito de fazer uma fotografia bonita e não, hnm, "informativa". Você vê um peito lá e um cabelo aqui. Não vê a união das garotas nem nada. É péssimo. E daí eu fiquei pensando que a cultura glbt só serve de entretenimento mesmo, tipo 'pão e circo', sabe. Já estão tomando conta dos programas de tv.... e não é mais com o título de 'Fulano é gay', mas 'Gays sabem cozinhar'. Algo do tipo "veja, eles conseguem". Até no Márcio Garcia, aquele quadro onde você tem que descobrir quem é o gay, o solteiro e o casado da história... sei lá, o espaço que foi supostamente conhecido foi justamente esse, algo para divertir o público. Não precisa ser visto como algo natural ou entendível, mas é preciso reconhecer que é algo maior do que parece.
Mas quem sou eu para falar disso, né? Ai ai.


segunda-feira, 2 de julho de 2007

Drama;

Eu me expressei mal. Bem mal. Eu não quis dizer que não gostava de pessoas sensíveis - na verdade eu sou uma delas e, enfim, gosto mesmo da espécie. Sei lá. Talvez eu quisesse dizer que não gostava - gosto - de chorões chatos. Eu ia usar o termo dramático, mas no fundo eu também sou assim e gosto de dramas. É, acho que fico com chorões mesmo, apesar de não ter - a princípio - coisas contra quem chora. É a velha história de que lágrimas são verdadeiras sempre e, enfim, especiais e tal. Semi-inevitáveis às vezes. Mas aí vai muito de quem está chorando, porque de fato não é algo que eu ache muito fácil - sim, encarar pessoas com os olhos aguados é bem delicado, tanto para quem chora quanto para quem vê. Mas enfim. Sensibilidade eu realmente gosto. E, no fundo, toda essa máscara de indiferença que a gente insiste em pregar não deixa de ser um escudo e tal para esconder o que realmente se passa. Tá, isso não é novidade. Mas enfim, eu fiquei grilada com isso. O conceito de chorões chatos ficou péssimo. Enfim, eu só acho que é meio contraditório o lance de você se tornar uma pessoa teatralmente sensível. O motivo de aproximar pessoas a fim de te ajudar, proteger ou o que for acaba te excluindo dos demais. Sim, quem é que aguenta?! Eu já convivi um monte com pessoas extremamente emotivas nesse ponto e, até hoje, é algo que me assusta muito. Eu dei o exemplo da garota vegetariana chorando pelos bovinos. Mas, sei lá, não foi exatamente isso que eu quis ter dito. Existe um limite entre você querer dividir suas emoções... quem está ouvindo deve estar preparado para suportá-las - e, dessa vez, não falo com ar de tolerância, mas simplesmente hnm... estrutura, preparo psicológico. Até porque quem está ouvindo pode não saber o que dizer ou ser blaster sensível também. Tá, eu creio que estou fazendo o papel de dramática, mas tudo bem. Eu só sei que eu sou sensível ao cubo mesmo, do pior tipo. Eu não lembro do que almocei, mas sei tudo o que me disseram há mil anos atrás em determinada situação. Numa conversa desligada, uma vez, eu disse algo do tipo 'oh, que bonito, perdoar é algo lindo' - só que sem a breguice toda e tals. E daí eu fiquei pensando nisso e cheguei a conclusão de que é algo que eu raramente soube fazer. Ah, eu tento não ficar olhando pra trás e levar a vida na boa, mas enfim. Não sei como as pessoas simplesmente passam a borracha assim, tão do nada... querendo ou não foi um orgulho ferido, uma confiança quebrada. Claro que existe a idéia de que errar é humano e, óbvio, ninguém é perfeito - ainda bem! Mas, enfim, esquecer é algo que eu realmente não sei.
*****
E então fiquei conversando com o Shaolin, na aula. Falamos do Rui, o ex-psico dele, e de como ele deveria enxergar "o pessoal". Falamos do Salinger, da menina Ivy, de anos atrás. Foi realmente bom e eu fiquei pensando em coisas realmente antigas e, uma vez na vida, fiquei realmente indignada com a sociedade machista. Mas só por uns segundos. Daí li uns textos diversos de tarde. Um deles, ainda citando a Bíblia e os pecados do Homossexualismo, falava de fidelidade e lealdade - que podem sim andar separados. Fiquei feliz de ler isso, me lembrou o marca-páginas aquele da praia. "Ser infiel e ainda assim digno de confiança"... não que isso seja útil agora, mas enfim, fiquei pensando nisso. A partir de que ponto uma garota se torna uma vagabunda? De repente, pensei em várias coisas aleatórias - é, no Holden também. E foi tri ver o Shao falando dele e tudo. É realmente engraçado ver
a opinião das outras pessoas sobre a gente e coisas assim. Eu terminei de ler, no domingo, Nove Estórias, do Salinger e fui me ligar hoje de tarde só do final do livro. As histórias se entrelaçam muito pouco, na verdade. Mas isso não tirou a graça do livro. São nove contos bem diferentes. Em uns quatro ou cinco desses aparecem aquelas crianças estranhas que eu adoro. Killers e tudo. Quase gozei. Na verdade três contos me chamaram bem a atenção: um de suicídio, um em que a garotinha têm um amigo imaginário que morre do nada - e enfim, várias coisinhas - e uma mãe que possivelmente deveria estar presa e, o último, que te faz pensar um monte na real função das emoções, da lógica e essas coisas. O garoto prega que nós deveríamos aprender a ver o mundo com nossos olhos e não com conceitos pré-estabelecidos... ah, é muito foda. Ele te dá mil exemplos de como as emoções só atrapalham e coisas assim... não pude deixar de concordar, sabe. Mas enfim, no calor da hora é assim. Ele previa mortes e não tinha medo de morrer. A irmã dele também era outra impiedosa mocinha... Mas chega disso. Eu fiquei lendo sobre aura, mediunidade e vários fenômenos psíquicos hoje. Achei tri. Os caras não se mostraram superiores nem arrogantes nem nada, muito pelo contrário. Pregaram até aquele discurso de que todos têm poderes, basta descobrí-los. Claro que, no meio disso, achei umas coisas bem toscas. Seu eu fosse me basear nelas eu poderia me declarar uma sensitiva e tanto, cheia dos frufrus. Mas não, eu tenho os pés no chão - um deles, pelo menos. Eu fiquei lendo sobre psicoses e assassinos e coisas assim outro dia. Em enfim, gosto deles. Eu odeio a forma como as pessoas repudiam idéias sem procurar ver os ângulos das coisas. Claro que é horrível e até ignorante matar uma pessoa, mentir ou enfim, qualquer ato mal visto pela sociedade... só que existe o porém, a razão. Não se pode negar isso. Se o tio foi lá fazer cagada é porque ele tinha um (bom) motivo para isso... nada é assim por acaso. E, se o caso é doença, isso deveria ser autojustificável. É doença!, as pessoas não controlam doenças. Talvez a química, mas os atos físicos não são controlados tão facilmente. E, no fundo, vilões são mesmo legais. E até mais corajosos, porque eles vão contra a maré, geralmente se fodem e ainda ficam com um sorriso no rosto. Tá, eu embolei bem os assuntos. Provavelmente vou ler isso amanhã e me arrepender de ter me expressado mal sobre os chorões chatos. Passar bem.


domingo, 1 de julho de 2007

Tetos

1 - eu acho que tenho inveja de uma pessoa. uma só. não verdade não chamaria de inveja, mas enfim. como temporariamente eu tenho que justificar meu descontrole emocional e não estou a fim de repensar atitudes passadas eu me prendo, vergonhosamente, nessa idéia. 2 - por orgulho e falta de argumentos até para me acusar de invejosa eu gostaria de retirar o número 1. 3 - apesar de estar dizendo coisas aparentemente bem ruins, eu me sinto muito bem. muito mesmo. poderia dizer, sem ressentimentos, que é o melhor momento da minha vida e blá. 4 - tenho dormido pouco, por ficar pensando demais - mas estou gostando disso. 5 - tenho que baixar umas 3 músicas, sendo que esqueci uma delas. 6 - tenho que escrever sobre parada's gay's. é, tenho sim. 7 - no fundo, gostaria de reescrever meus inícios de histórias antigas. especialmente a dos cogumelos. 8 - eu li o livro Nove Estórias, também do Salinger e de fato quero falar dele. 9 - lendo muito sobre serial killers e psicoses e blá. 10 - pretendo transformar isso tudo em texto com mais umas coisas que eu esqueci depois. só pra não esquecer. e não escutem 'stereobox' cantando ao vivo, eles são muito ruins. e eu vi um filme e quero comentá-lo. tchau.

de moral, eu dei 'enter' em tudo, mas fudeu quando eu fui colocar a figura. então sei lá.
ah é, estou me saindo bem nas provas - eu acho.
simulado semana que vem. ouch!

terça-feira, 19 de junho de 2007

A injustiça das Redomas de ferro.

Ela sugeriu que, como várias pessoas, eu esteja buscando uma tentativa de auto-análise ao desejar algo com tanta ansiedade. Claro que era de se esperar uma atitude assim... por mais diferente que achamos que somos não podemos esquecer que nosso conteúdo se limita ao que o lado externo de nosso corpo é capaz de transmitir. Isso pode soar como uma característica completamente de caráter negativo, porém não é: faz parte do personagem de cada um por em jogo ou esconder determinadas características. É péssimo encarar a tal mulher e ter de concordar com suas afirmações apenas para não parecer excessivamente teimosa ou coisa que o valha. A partir do momento em que os sintomas apontados são relacionados com a puberdade, torna-se um grande empecilho desviar esse caminho a fim de apontar para uma nova direção... quem sabe falar de outras pessoas hoje?
Eu não saberia muito o que falar dos meus amigos. Tudo o que eu digo é entendido como uma crítica preconceituosa. Os pontos que tornam as pessoas que eu gosto queridas para mim - ou, simplesmente, diferentes da massa - são coisas que, no fundo, não importam senão para mim. São pessoas como as outras, porém especiais porque souberam se posicionar na minha vida sem pretensão, apenas fazendo-me abrir os olhos, conhecer novos mundos - e, através de uma ampla área de importância, permaneceram intocáveis com o passar do tempo. E se eu dissesse que tenho amigos com quem não mantenho nenhum tipo de contato físico? Não ver uma pessoa significa não conhecê-la? Sendo assim, todo cego seria solitário. É preciso convivência? Logo a principal causadora de problemas? Talvez... mas porque não abrir sua vida para uma pessoa que manterá o mesmo laço de sinceridade que você? Tão mais seguro, mais simples e não menos bonito.
Ela lá citou esse blog em um de seus monólogos intermináveis. Sua risada é do tipo que pode tanto gerar prazer quanto raiva, talvez até um misto dos dois. A preocupação com o meu "público", com o que eu procuro foi tão elevada. Fez-me parecer uma colunista de uma revista importante, um jornal ou alguma coisa parecida. São pessoas normais, algumas como eu, que passam por aqui. Apenas isso. Não é preciso esconder nem escancarar fatos, apenas seguir meus próprios padrões de textos. Ela insistiu na idéia de que eu modifico as coisas para ser melhor compreendida. Não poderia negar isso, visto que a linguagem humana é baseada nisso, na necessidade de compreensão (na verdade, qualquer linguagem), porém impedi que ela continuasse suas insinuações de que eu tenho uma segunda personalidade apenas para o mundo virtual. Incrível como gente de outras gerações implica com a Internet.
Se fosse perguntado, sequer um instante, sobre o porquê de escrever, eu responderia de maneira egoísta que um dos fatores que mais auxiliam é a autoridade que a escrita manifesta. Não, você não entendeu bem. Assim... eu escrevo e você lê. Você não pode cortar minhas palavras, apenas condená-las em seu pensamento ou após um breve espaço de tempo, oralmente ou comentando no link abaixo. É ótimo falar sem que vozes mais altas interrompam o som da sua. Simplesmente isso já é algo bem satisfatório... Mas, claro, o deleite de escrever não vem exatamente daí. Enfim, cada um sabe o que o leva a gostar de certas coisas. Trata-se de uma resposta puramente individual.
Ah, sim!, eu falei pra ela da minha redoma. Fiquei feliz de encontrar - mais precisamente ontem - algumas interpretações que complementem a formação dessa idéia. Um vidro transparente que abriga uma vida. A criatura, dentro de sua imaginação, pode ser um daqueles clássicos peixes laranjas, um guerreiro nórdico, seu pai ou que for - ainda que não passe de uma criança. A mesma inocência que pode trazer um daqueles risos jovens que cortam o silêncio dos grandes também tem o dom de perturbar algumas almas. Já dizia uma música: "nada é tão cruel quanto uma criança". Com a mesma ingenuidade que essas descobrem partes do corpo, são capazes de alimentar a mais fina camada de apreensão.
Você olha para o mundo sem saber onde está, afinal o que o separa da realidade é uma barreira incolor, que por vezes reflete seus olhos arregalados. É tudo novo, tudo mágico. Tantas perguntas silenciadas com as mais vazias respostas... Nada é preocupante, dá-se um passo atrás do outro. A distância entre a queda e a dor é o choro. E, pronto, eis o intervalo! De repente o vidro se racha, com ou sem motivo. O Sol agora queima. A película branca que rondava a redoma se mostra gelada. Passa a ser frustrante tentar qualquer espécie de brincadeira - se você crescesse um pouco mais, continuasse a intolerar estas regras malucas, possivelmente seria escoltado até algum lugar bem diferente das florestas coloridas dos seus antigos sonhos. Aliás, sonho é algo que não cabe no mundo adulto. Talvez apareçam em alguns daqueles livros de auto-ajuda para mulheres gordas de quarenta anos, aqueles livros que tentam ensinar as pessoas a ser feliz em troca de algumas notas de dinheiro.
O que leva uma pessoa a vestir pantufas e aposentar as nádegas em frente a um monitor para inventar receitas de falsos sorrisos temporários? Talvez o cristianismo e todo o seu capitalismo esteja por trás disso. Ou não. Talvez o cara esteja escrevendo tudo o que aprendeu errando, dizendo coisas do tipo "não fume, não beba muito, aproveite os pequenos momentos, compre uma lingerie preta". Esses livros para mulheres de meia idade geralmente dizem para elas curtirem seus filhos e se aproveitarem da sua rica experiência de vida. Ah claro, você que está lendo o livro na privada está seriamente pensando em todas as lições que aprendeu... No fundo, livros de auto-ajuda só servem para deixar o leitor irado e aprender que não são essas porcarias que ditarão o que fazer ou não para se obter uma boa qualidade de vida nos poucos - ou muitos - anos que restam.
Alguns psicólogos parecem se graduar apenas para alimentar a idéia de que seus livros com monólogos otimistas e repetitivos serão bons. Todo mundo quer vender a idéia de que é o melhor. Eu, sinceramente, adoraria ler um livro que o próprio autor apontasse como uma merda. Mas, claro, seria alguma estratégia de marketing... Enfim, eu ando meio desiludida com a crítica das pessoas. O ruim é que meus argumentos são realmente fracos, do tipo "pessoal", onde eu sei o valor que têm e coisas assim. Seria infeliz eu colocar algumas idéias aqui para vir um ou outro jogar baldes d'água sobre a minha redoma de cacos colados. Diante de toda a enrolação eu me vejo pensando nos cara que estão em prisão perpétua. Hum, isso tem relação com o ambiente infantil de vidro...
Pois bem. É contra os direitos humanos condenar alguém a morte e todas essas coisas. Enjaular pessoas já é uma atitude um tanto quanto ignorante. Mas tudo bem, eu sou uma garota de dezessete anos sem voz e sem uma idéia melhor. Literalmente sem voz, porque eu estou com a garganta defeituosa. É bonitinho ver que alguns "apenados" - como eu vi no jornal e achei a maior graça - estão tendo a oportunidade de aprender algum ofício e essas coisas todas. Só que, enfim, eu não sei quem inventou isso de você cometer certos crimes e ser recompensado com uma cela gelada para o resto da vida. É puramente injusto em vários casos. Nessas condições, você encontra desde algum infeliz que abusou sexualmente de crianças e mulheres e enfim, executou alguns gestos agressivos com facas e afins até um doente que deu tiros em um homem famoso. Porra, eu odeio isso. Não que eu vá dedicar a minha vida defendendo os esquizofrênicos (hahaha agora imaginei uma passeata bem besta no centro, com uns amiguinhos de jaleco e uns pacientes de alguma clínica psiquiátrica local...) ou, sei lá, impondo que Jesus era um bissexual assexuado (ok, poupe-me de explicações)... mas, puxa vida, eu odeio pensar que o cara está lá até hoje porque matou um músico.
Sei lá. Mistura de Salinger com a infelicidade da Yoko Ono.
Eu já disse que se aparecer na televisão uma garota invadindo a casa desse cara serei eu. Talvez alguma garota infeliz e drogada ou um Mark Chapman da vida estejam comigo.
Enfim, tetos.
Ah, droga. Eu comecei a escrever muito feliz, porém me exaltei e estraguei tudo.
Quero conversar depois.

(desenho feliz que eu fiquei fazendo no Paint ontem. sim, a intenção era ficar bem infantil)

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Flor de Lótus

Eu tenho um caderno bem bonito até, com uma flor de lótus na capa e tals. Há uns dois anos, por aí, eu usei ele para escrever coisinhas que eu lia nos livros, pensamentos, músicas e coisas assim. Tri que eu dizia que era meu caderno de filosofias. Tá... com o tempo eu preenchi ele com matéria da aula de química e coisas assim, mas ele chegou a ficar bem gordinho. E, sim, eu gosto um monte de pegar ele do nada e dar uma olhada. Daí, como eu não estou afim de ficar falando de mim hoje, vou postar uns pensamentos. Na verdade, a proposta desse blog era ser diferente do anterior, falar de outras coisas, tentar se concentrar mais na parte estrutural da coisa do que ficar só na sentimental... mas sabe como é, essas Ivy's que se empenham em começar uma coisa mas nunca seguem a idéia... enfim. Vou citar umas coisinhas do caderno.
Enjoy!

"Para encontrar um amigo, devemos fechar um olho. Para observá-lo, devemos fechar os dois."
"Liberdade é o que você faz do que foi feito de você." (Sartre)
"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." (Max Frisch)
"A beleza é um acordo entre o conteúdo e a forma." (Henrik Ibsen)
"Aquele que conhece seus defeitos está próximo de corrigí-los." (Aristarco)
"Nunca é demasiado tarde para ser aquilo que sempre se quis ser." (George Eliot)
"Há sempre um pouco de loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura." (Friedrich Nietzsche)
"O amor são duas solidões protegendo-se uma à outra." (Rainer Rilke)
"O maior inimigo da criatividade é o bom senso." (Pablo Picasso)
"Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez." (Jean Coeleau)
"Não deixe a escola atrapalhar seus estudos."
"Quem tem por que viver é capaz de suportar qualquer como." (Friedrich Nietzsche)
"As coisas valem pelas idéias que nos sugerem." (Machado de Assis)
"Procure o ridículo em tudo e o encontrarás." (Jules Renard)
"Ninguém consegue escapar da sua individualidade." (Arthur Schopenhauer)
"O outro lado tem sempre um outro lado."
"O essencial é invisível aos olhos." (Saint Exupéry)
"Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim." (Millôr Fernandes)
"Quanto mais te revelas, mais te rendes ao poder dos outros." (Merlim)
"Muitos homens passam por sábios graças à ignorância dos outros."
"Tenha certeza de suas dúvidas." (São Tomás de Aquino)
"Não há fraqueza, senão a incapacidade de acreditar." (30/07/05)
"Mais vale uma teta na mão do que duas no sutiã." (Mamonas Assassinas)
"Faça aquilo que você mais teme." (Ralph Waldo Emerson) <--- quem é esse cara?
"Palavras só ligam pessoas que têm sinfonia." (Max Frisch)
"Não estou mal e nem estou bem. O preocupante é que não estou." (Melissa Panarello)
"A distância mais longa é entre a cabeça e o coração." (Thomas Merton)
"Sejam como são, ou deixem de ser."
"Pouca sinceridade é perigoso. Muita sinceridade é absolutamente fatal." (Oscar Wilde)
"Adolescentes têm o desejo de serem diferentes vestindo-se da mesma forma."
"Perdoa a teus inimigos: nada os chateia tanto." (Oscar Wilde)
"Meia verdade é sempre uma mentira inteira."
"Não se sinta capaz de enganar quem não engana a si mesmo." (Crime Perfeito - Engenheiros do Hawaii)
"Vivo, era uma peste. Morrendo, serei tua morte." (Edgard Allan Poe)
"Eu não tinha medo de olhar as coisas horríveis, mas ficava apavorado à idéia de nada ver." (Edgard Allan Poe)
"Os meus sonhos não são tão vazios quanto a minha consciência parece ser." (Behind Blue Eyes - Limp Bizkit)