sábado, 3 de novembro de 2007

Sinceramente?

Existiu um período em que eu falava muito isso: "sinceramente?". Era como se na outra parte do tempo eu me ocupasse falando mentiras às pessoas - ou à mim mesma. Não deixava de ser essa última opção. Eu sei que foi nessa época que eu tive meus ataques de franqueza - aquilo de dizer a coisa certa na hora errada. Porque as vezes a situação é mais delicada do que parece. E porque não é sempre que quem pergunta quer realmente saber a resposta - principalmente se essa não é agradável aos seus ouvidos... O "sinceramente?" era prenúncio de que alguma crítica estava a caminho, agora impedida de ficar calada. Nunca vi ninguém responder "não". Talvez a expressão desse alguma esperança de tempo bom. Mas sempre chovia.
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Sabe aquelas milhões de frases clichês que eu, você e todo o mundo crescemos ouvindo? Que o que tiver que ser será? Que quando for Amor a gente simplesmente vai saber? Pois é. São bobagem. São sim - até o dia em que você vai acordar ou se deparar com alguma situação ode seja impossível negá-las. Eu gosto de pregar que a gente não deve buscar um perfil específico, uma "pessoa perfeita". Até porque se for per
feita mesmo, a gente não vai estar à altura. E sempre existem milhões de porquês. Legal de verdade é aprender a lidar com as diferenças, conviver com uma pessoa que pense diferente, que tenha outras manias e ainda ter a coragem de não trocar o abraço dela por nenhum outro. Cada um tem um histórico de paixonites diferente. Eu acho que nunca me permiti mesmo. No sentido de cravar os pés no chão, não se entregar. Até porque existia dúvida no ar. Por mais bela que a vida fosse, era algo arriscado, incerto, inseguro. Perigoso mesmo é o período de discussões. Violência verbal, ás vezes física - de várias formas, pois sim. Sabe, aquilo de ver que nenhum dos dois está feliz, mas ainda assim lutar pelos 80%. Pelos 60, 50, 30... lutar pelo carinho que restou, pela amizade. Pelo tempo que foi bom e acabou. Eu estava colocando os tênis quando me liguei que não estava tudo bem. Aqueles sorrisos bobos não tinham conteúdo. Sabe, quando existem traços de uma pessoa que te irritam... esquece! Porque mudar não é a alma do negócio. Amor de verdade é quando você gosta e pronto. Chega, basta. É estranho. Porque você sente quando uma pessoa é especial, mas até descobrir o quanto é uma longa viagem. Se a atração é recíproca, existem aquelas três fases pós período platônico: a euforia, o desgaste e o medo. Você fica um tempo, gosta, desgosta e fica naquela indecisão de colocar tudo a perder. Se esconder isso já é difícil, dividir o momento é pior ainda: você lida com o seu sofrimento e o da pessoa. São dois pesos. Duas pessoas vendo o relacionamento acabar, sem ter muito o que fazer. É assim mesmo. Sabe, se decepcionar é bom. A gente fica mais pé no chão, mais racional e preocupado com o mundo ao redor. Ainda que não admitamos, nosso amor-próprio cresce muito. Porque nós ficamos cautelosos, exigentes... passar pelas más fases de novo está fora dos planos. O tempo que você fica sozinho é bom para se conhecer, encontrar seus limites. Ter seu dia de merda, de fodão e de normal. Tempo de grudar nos amigos, prometer a si mesmo uma pá de coisas e, enfim, renovar conceitos. Se decide procurar algo, não encontra. É a lei da boa vontade, que é inversamente proporcional aos bons resultados. Ficar sozinho também é sinônimo de fazer merda, é claro. O bom é que, aí, os erros geralmente não afetam mais ninguém. Sair da rotina, ficar sem compromisso. Até que um dia isso cansa. Ou não. Mas num dia desses com que você não está acostumado, num dia de chuva e coisas impossíveis, acontecem aquelas coisas que marcam mesmo. Sabe, você não precisa entender como aconteceu ou porquê ou sei lá. Porque você não quer ouvir a resposta. Você não tem medo de ouvir um "sinceramente?", apenas tem medo de acordar. E, sim, borboletas no estômago, na garganta, onde for - elas existem. Prepare-se para uma batalha diária: agora você luta com o tempo que demora a passar, não com o tempo que antecede o fim. Fim passa a ser uma palavra desconhecida. Talvez a face mais "vergonhosa" do Amor seja realmente aquela imagem dos pombinhos, tão bobinhos e ridiculamente apaixonados. Fazendo caretas, imitando vozes, dançando juntos, sendo meigos em excesso... Mas, sabe, não tem coisa mais feliz do que ser um desses "amorxinhos cuticuticuti". Ah, não tem mesmo. Palavra de escoteiro. (Eu sei que eu não fui escoteira, mas eu sempre quis dizer isso.)

Um comentário:

Guilherme Gomes Ferreira disse...

"Se a atração é recíproca, existem aquelas três fases pós período platônico: a euforia, o desgaste e o medo"

tri que parece que você adivinha o que eu estou vivendo, vai lá e escreve uahushasuahsuash *.* pois é

sinceramente.