domingo, 5 de julho de 2009

Sobre o ridículo do sentir

Ridículo! O ridículo do sentimento é a sua não-correspondência pela outra parte envolvida. Passam a ser desimportantes a pureza e a beleza do sentir, passam a ser meramente irracionais. Não existe instrução capaz de ensinar a alguém como se controla a emoção: as pessoas se aventuram inventando conselhos não-praticados sobre como se deve agir, mas não existe solução que vá além do uso de máscaras. O confronto direto entre o egoísmo e o altruísmo, o conflito entre o que se quer e o que se pode fazer - conseqüências imediatas da exposição ao ridículo. Não existe escolha a ser feita no início, mas uma imposição que acontece "no final". O final que, na verdade, é apenas o começo do ridículo: o nascimento da guerra interna, da perda dos sentidos, da inevitável tempestade que se faz no copo. No copo e no corpo. Quando estamos diante do ridículo, a dor e o medo antevêm qualquer passo que ousamos dar: a revolta acontece a nível individual e social e, na busca de uma saída, não encontramos justificativa para continuar em inércia - tampouco compreendemos a lei que nos diz para abandonar o sentimento. Irreal, é irreal combater o sentir com a razão; é inaceitável a idéia de desequilibrar as forças e deixar que uma ocupe o espaço da outra. São instâncias diferentes, que desempenham funções completamente independentes. Deixar de sentir por não receber o mesmo em troca é correto? "Não importa, é o que deve ser feito". E seria no mínimo tolo enfrentar a situação vivendo a outra alternativa... E, por isso, é ridículo. Por isso é ridículo! Não há liberdade na escolha, não existem prós e contras, apenas eufemismos para os efeitos negativos que resultarão das ações. É ridículo! Infinitamente ridículo até que o sentimento adormeça no curso de seu destino. Não se pode evitar a verdade, não se pode evitar a vergonha nem a perturbação: quanto mais rápida é a aceitação, menor é a perda - deveria ser desse modo. Então, deixemos de ser ridículos diante do ridículo... Deixemos de permitir que o sentir se sobreponha ao que está em nosso poder de consentimento, deixemos de lamentar o que poderia ter sido e não será. Deixemos, simplesmente deixemos: o desapego é fundamental.

2 comentários:

Schlauzen Kraint disse...

Bah.

É tudo verdade isso que tu escreveu. É ridículo, nos faz nos sentir ridículos e pensamos passar por ridículos frente ao outro lado.

Mas ainda aguardo o dia que o ridículo vai dar lugar a algo precioso. É o que todos "de bem" querem, precisam e merecem.

Bom, eu não sei se falei besteira e se entendi totalmente o que tu disse. Mas gostei do teu escrito.

E como postei no post seguinte, sou o Marcelo =)

Anônimo disse...

Nunca lí um texto que definisse de forma tao perfeita o que to sentindo nestes ultimos dias...

Parabéns...nao tenho esta facilidade de colocar em palavras os sentimentos, mas qdo lí, foi como se eu o tivesse escrito