terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Verdades chatas

"Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem. Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale." (Filtro Solar)

E existe a teoria de que explicar seus erros para alguém, num pedido de desculpas, é o mesmo que se livrar de parte da culpa - já que a responsabilidade agora não está só no que aconteceu, mas no então segredo ou enfim. Como se a formalidade obrigasse a existência do perdão a partir do instante em que uma verdade se escancarou.

"Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou um via um lado das coisas e outro um outro lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso dessa dupla existência de verdade." (Fernando Pessoa)

"Preocupe-se mais com sua consciência do que com a sua reputação. Porque a sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles." (Sei Lá)

Tetiando. É mais difícil dizer que você gosta de uma pessoa ou que não gosta? No sentido de que o sentimento não é recíproco e lalalá. Cara, adoro choradeira. Não que eu pensasse que eu fosse viver minha vida sonhando e/ou vivendo um grande amor ou coisa do tipo. Sempre me preocupei mais com o lado capitalista da coisa. Acho o máximo aproveitar as famosas pequenas coisas, mas ainda não sei aceitar muito bem aquela filosofia de "morrer por amor" dos filmes antigos. Ok, não sei se foi isso que eu quis dizer. Só que eu acho que as grandes coisas, tipo esse assunto mais emocional, só são boas e grandes porque aconteceram repentinamente. É claro que você vai tentar fazer algo para melhorar a situação, só que antes disso houve uma ação espontânea. Ninguém precisou de poções estranhas do amor, nem fez o golpe da barriga ou coisa que o valha para isso acontecer. E já que eu pensei nisso: não não, sem intervenção divina, por favor!

Hoje eu estava tagarelando about. Religiões são um saco. Quer dizer, toda a história escrita e repassada por gerações e gerações, toda a cultura, a arte e a intenção é realmente boa e comum. No fundo, apesar dos códigos serem diferentes, a mensagem final é semelhante. Os deuses amam seus queridos filhos, odeiam as cagadas que eles fazem - e, para essas, há punições -, são egoístas e pregam a solidariedade. Tudo bem cada povo é um povo, mas essas diferenças ideológicas são coisas do passado. O que mais me irrita é a interpretação literal que é feita sobre a Bíblia, por exemplo. Que saco. Hoje em dia, as coisas estão diferentes. Vestido branco não significa pureza. Mesmo os mais "crentes" não seguem sua doutrina. Isso é muito, muito irritante. O batismo virou uma espécie de status, eu acho. Não é essa a palavra, mas é tipo isso... porque não importa o que o outro faça da vida, se ele não tem as mesmas crenças ele é realmente um imoral. Tá, esse conceito entra em vários fatores da sociedade.

A fé é para poucos. No fundo, toda a idéia de fazer coisas bonitinhas e não magoar seus coleguinhas é uma ilusão de que no final vai ser tudo melhor. Aquilo de poder ter razão em implorar pelo julgamento divino na hora da morte. Quer dizer, ninguém quer morrer sozinho. Não existe o depois. Ok, entramos nas suposições da Ivy... mas enfim, não existe depois. O ciclo tende ao infinito. Morrer, nascer e por aí vai.

E então você nasce e te enchem de novas idéias. É sério, as crianças realmente perdem a inocência logo após nascerem. Os valores das pessoas ficam competindo entre si. É uma batalha de pensamentos que deixa qualquer um zonzo. Ainda que você realmente pense que vai livrar seu filho do mal se ele aprender a rezar antes de dormir ou se deixar de comer carne, essas atitudes são extremistas para um pequeno ser que não teve a opção de escolher o que quer. Se a questão é a idade, respeitar isso seria a solução. Mostrar as correntes existentes, não impor barreiras na visão do pequeno... é claro que ele vai ser influenciado, só que é menos injusto. Tudo bem, isso pode vir a comprometer todo o conjunto cultural mundial - mas, pelo menos, ele não vai se tornar um pseudo-alguma coisa. Se optar por seguir a ideologia budista, ele irá atrás disso por livre e espontânea vontade. É muito mais bonitinho e dá menos trabalho para a família.

Ok, isso tá chato. Eu gosto de forma especial do trecho do Filtro Solar que eu colei lá em cima. E aproveitando alguns tetos mais recentes, sei lá. No fundo eu me indignei com umas coisas. Não me coloque na parede, please. Ser ouvida é uma coisa, mas exigir informações que não condizem com o que precisa ser dito é algo extremamente irritante. Confundir uma pessoa que fala bastante com uma que fala qualquer coisa é uma barbárie. Eu adoro perguntas, adoro mesmo - só que existe um limite. Se tem uma coisa que me intriga é o excesso de confiança que as pessoas depositam nas outras. E alguma contradições, do qual eu mesma compartilho. Do tipo achar incrível e mágico uma pessoa ser fechada, misteriosa e diferentona - sendo que o que eu quero é conhecer realmente ela. Tá, não é necessariamente uma contradição, é algo até que bem comum. Você encontra o mapa que o leva até o tesouro, é natural querer abrir um buraco no lugar do x vermelho.

Tudo bem, eu só queria dizer isso que eu disse. Não precisa ser encarado como um sermão só que, por mais feliz que eu me sinta em responder as coisas, eu ainda tenho minha intimidade e gostaria de guardá-la para mim - ou reservar as melhores palavras para as pessoas certas. Tudo bem, soou durão. Hmn... É só que eu gosto de falar complicado, porque essa é a minha maneira de disfarçar algumas emoções, camuflar algumas informações essenciais para compreender o todo e, enfim, modificar a história. Eu odeio ter que explicar cada coisa quando eu não queria nem ter tocado no assunto. Pensando bem, eu mesma me chamaria de mentirosa tendo em vista aquela idéia de que "meia verdade é uma mentira inteira", ou sei lá. Aquilo de que omitir e mentir podem ter o mesmo significado. Mas, pra isso, eu penso num trecho de música dos Engenheiros que, por sinal, eu adoro: "quem mente antes diz a verdade". Concluo dizendo para ignorar esse último parágrafo, porque eu me atrapalhei e pus em jogo a consistência do que eu digo.




Um comentário:

Gui ¬¬ disse...

"E então você nasce e te enchem de novas idéias. É sério, as crianças realmente perdem a inocência logo após nascerem. Os valores das pessoas ficam competindo entre si. É uma batalha de pensamentos que deixa qualquer um zonzo."

e esses valores ficam enraizados, e é muito dificil desfazer-se deles depois. Por mais que uma estória ou crênça seja mentira, se ela for repetida varias vezes pode tornar-se verdade. e é isso que me desilude em algumas pessoas, de elas não quererem buscar a verdade, e se acomodam nos próprios conceitos. Vi num filme - acho que era o Closer - que sem a verdade, somos animais. Achei legal isso. E somos irracionais se não questionamos todas as coisas.