segunda-feira, 16 de julho de 2007

Cranberries .

Bah. Em extremos. No fundo, eu estou bem feliz. Mas, apesar do dia não ter acabado, posso dizer que foi um tanto agitado e, hum, estranho. E eu estou ouvindo músicas que não ouvia há certo tempo. Isso é bom, eu acho. É realmente bem relaxante ficar cantando bem alto, em inglês bem ruim, para fugir do meu pequeno estresse cotidiano. Quero ver quando eu tiver um chefe e, enfim, tiver realmente responsabilidades. Vou morrer cedo!
Sabe, por um lado fiquei feliz pela semana que acabou. Putz, só tive provas... o clima realmente estava tenso. E eu passei considerável parte do meu final de semana estudando inglês para a prova do cursinho, que foi hoje de tarde. Sei lá, não vou dizer que foi agradável, mas pelo menos não me criticaram por não saber como é arroba em inglês (e eu ainda não sei). Provas orais me deixam nervosa. Como a maioria das coisas que exijam a minha exposição... Mas tudo bem, a tia (ela estava com um conjunto de lã cinza e rosa-cereja que deixava ela tão gorda e tão esquisitamente torta que, sei lá, eu não esperava realmente nada dela) fez perguntas razoavelmente bestas e não me dei muito mau, eu acho. Ela não tinha senso de
humor e eu demorei para perceber isso... enfim.
A prova escrita foi bem tri de fazer. E hoje de manhã eu me matei fazendo uns trecos em matemática. A Emily se irrita que eu risco tudo e, quem sabe, com minha falta de organização na folha de cálculos, mas ahh... sei lá, matemática é muito prazeroso. Adoro pensar que eu estou desenvolvendo meu raciocínio, haha. Não que o resto não o faça, mas nada tem o sabor de matemática. Números são legais, não são limitados. E até física anda me atraindo, pois veja só.
Na aula, aconteceu um teto estranho: foi no último período, quando uma moça de cara conhecida-mas-nem-tanto entrou na sala com um pacote de folhas de papel na mão. Ela é estagiária eu acho, faz Psicologia na PUC e resolveu cortar nosso período de jogatina (Can Can na aula de religião é o que liga!) para desenvolver sua dinâmica feliz de grupo. Pior que eu me emocionei por um lado, porque tratou-se de algo que só aconteceria no final do ano. Antes da formatura do terceiro ano, a psicocoisa da escola faz um daqueles encontros felizes, onde você diz para os seus coleguinhas o que achou deles antes de conhece-los, o que acha (de bom e ruim) e, enfim, é uma sujeirada. Todo mundo se odeia e resolve brigar
e fazer as pazes simbolicamente antes da cerimônia... é uma loucura.
A dinâmica consistia basicamente nisso. Cada um com sua respectiva folha, que circulava de mão em mão para os demais escrevem o que gostam em você e o que você deveria mudar. Foi, no mínimo, engraçado. Do meu lado tinha gente disposta a ferrar todo mundo e gente hum puritana, do bem, que não quer fazer falsos julgamentos. Sei lá, eu não deixei de ser sincera, mas segurei muito a língua né. Até porque meu caráter explosivo não combina com minha covardia... e não vale a pena dividir meus pensamentos com gente que não está nem aí.
Para umas três pessoas eu escrevi coisas realmente boas, ou disse que admirava ou gostaria de ser mais próxima. E, enfim, tem gente que eu desprezo tanto que nem consegui achar qualidades. Sim, eu falei um monte de merda pro filho da diretora. Que se dane o guri, ele é o mais idiota de todos. Teve gente que, sei lá, eu fui mais sincera do que eu gostaria, mas falando coisas legais. Depois que você lê o que escreveram de você dá vontade de recolher tudo e fazer como a Anita (ela dizia "blé" e botava um emotion do lado).
Não consta o nome de quem escreveu, mas você percebe pela
caligrafia, pela ordem das pessoas... Ninguém falou nada muito bom nem muito ruim de mim. Tudo igual. As velhas coisas que são ditas em amigo secreto. Um ou outro foi original. Eu desperdicei meu tempo catando adjetivos para os outros, mas fiquei feliz em dizer coisas para alguns. Bem infeliz e arrogante mesmo. Enfim, só me revoltei com um colega meu que diz que eu sou fechada. Porra, eu falo um monte de coisa todo dia e fico tentando puxar assunto. Mas enfim, ele deve ter dito isso pra todo mundo. É engraçado ver a repetição das coisas, em ordem invertida. Antes somente falso, mas não, é um conjunto de palavras falsas e mecânicas.
Hoje de tarde um velho sentou atrás de mim na hora da prova escrita. Ele podia escolher entre dezenove cadeiras, por aí. Mas não: ele resolve se espremer atrás da Ivy, crava vem o braço da cadeira nas minhas costas e fica lendo a prova em voz alta. Que saco, já não bastava a minha vontade de ir embora, tinha que ficar com um bafo internacional atrás de mim. Cochicho em inglês é o fim! Soa bem rabugento da minha parte isso, mas enfim. Na hora eu até ri sozinha da minha infelicidade. Ah sim, e hoje tiramos mais fotos horríveis na escola... daquelas em que um tio chato fica dizendo "ajeita o braço, sorri, tira o boné, vai pro lado, sei lá...".

Sempre que eu vou pros lados da Oswaldo Aranha eu volto a pé, ouvindo música. É tão bom... e daí compro doces pelo caminho. Eu ando com sérios problemas típicos de mulherzinha. Eu nunca fui assim, de pensar "olha, eu engordei" ou, enfim. Poxa, eu sento de perna aberta. Agora eu ando tão estranha com tudo isso. Naqueles dias em que nem a gente se pegaria, sabe? E nem me fale de TPM. Sei lá, eu pensei que eu mudei um monte. Me baseei no meu gosto musical, mas várias coisas mudaram. E eu fico triste por falar grego com algumas pessoas. Ou ter vontade de falar assim, para despertador - eu tava editando o texto e achei "despertador" no lugar de 'despertar'. eu sempre acho uns erros terríveis de gaguice e fico morrendo de vergonha depois - curiosidade.
Eu falei com um amigo meu onteontem, por um tempão. E foi uma das nossas melhores conversas, senão a melhor. E isso me fez pensar sobre as pessoas que, enfim, eu vou carregar por tempo indeterminado comigo. Não são muitas... a maioria das pessoas com quem eu ando eu conheci na escola. Sei lá. Eu fico até feliz por não ter muitos amigos "de fora". É menos preocupação. Eu me sinto tri mal quando passo um tempo sem dar ou receber notícias, apesar de saber que o laço está firme. É como se faltasse alguma coisa. Enfim, foi bom ter falado com ele.
Me rendeu algumas dúvidas, mas tudo bem. E ele vem de vez pra Porto, com a lady dele. Bem tri.
O final da terceira temporada de The L Word me deixou super pensativa. E eu vi The OC ontem, um dos episódios novos e, sei lá, ajudou para a minha depressão temporária. É tão ruim ver gente morrer de câncer, na ficção (imagina na vida real e enfim). E uma das garotas me preocupou um monte, com aquela história de "a essência é a mesma". Isso me lembra o Will falando, e ele mudou um monte. E me lembra uma série de pessoas, e eu penso qual é minha essência ou, enfim, eu fico dando voltas nesse assunto. Nem ando dormindo direito. Eu gosto de ir deixar razoavelmente tarde, eu gosto da noite. Eu deixo a janela aberta e fico olhando pro nada, com a claridade e tudo. É tão bonito, tão calmo, silencioso, prazeroso. Não tem música que descreva.
Eu vi hoje o pai de uma amiga minha no João Pessoa e desejei não ter dado oi. Foi o caso da comunidade de semi-conhecidos, que eu estava discutindo outro dia com uma pessoa importante. Sei lá e eu fiquei pensando nessas pessoas que te encaram no ônibus ou em qualquer lugar. Ou nessas velhinhas que puxam assunto, ou nessas crianças com roupas de inverno que já crescem tão esnobes. Sei lá, eu ando filosofando um monte. Eu penso na história que eu estava fa
zendo, da garota no vale dos cogumelos (não, não tem nenhuma referência com O Apanhador), e penso que o Francesco me mandou, por nada, uma figura tão legal de "gusgusmelos" que eu usei até alguns dias atrás num álbum do Orkut. Foi tão especial.
E eu andei conversando sobre energia, vampirismo, sonhos e todas essas coisas. E eu queria alcançar algum lugar, dentro do meu espiritualismo. É uma coisa que me fascina e intriga tanto... nossa, fico horas pensando about. Hoje eu quase entrei numa Igreja, pelo caminho. Mas estava cheia e não era hora de missa. E eu vi muitos carros e motos e coisas de polícia pelo caminho, e ambulâncias... foi bem estranho o dia. Igrejas me dão medo, são geladas e tem um silêncio que incomoda (diferente do silêncio cheiroso das bibliotecas). Eu entrei umas cinco ou seis vezes. Uma delas na catequese ou crisma da Carol, sei lá. A outra foi numa daquelas missas de sétimo dia, quando meu avô morreu.
Eu lembro que era sábado de manhã e eu estava tomando nescau com torradinhas, quando a mãe sentou na poltrona e, no meio de um programa de tevê qualquer, disse que meu avô morreu. Ah, que merda. E eu tinha pedido pra ela desligar o telefone na noite anterio
r, para ninguém ligar e incomodar. Enfim, foi horrível, péssimo momento... ainda que não exista um bom momento para saber da morte de alguém. Eu ia num show de noite, Capital Inicial eu acho. Nem fui. E ficou uma pá de gente me ligando do nada. No fundo, é uma merda. Puro egoísmo. Quem morreu foi o cara. Deveríamos chorar a despedida, não a nossa dor. Porque quem morreu foi ele, não a gente. E, apesar do hnm carinho, sei lá. Eu me sinto mal com abraços de pessoas com quem não tenho proximidade.
Sei lá, filmes de Igreja são legais. Tem padres fodas, suspense, heresias, são legais. Eles cantam coisas sombrias. Quase o cantos dos 13 Fantasmas, no filme - que, por sinal, eu não curti. Eu me sinto estranha na verdade, em igrejas. Não é exatamente uma sensação ruim, só que eu me sinto mal. É como se eu não pertencesse aquilo e fosse muito pressionada para pertencer. Ou então você vê as imagens e os adornos tão ricos... sei lá, não combina. É uma coisa tão primitiva e européia, não sei como resiste até hoje. A Fé das pessoas não precisa disso. E, sei lá, os próprios padres. Por mais que uma religião, um templo possa oferecer, não acredito que eles sejam felizes. Você não pode viver só de uma coisa. Não dá pra se sentir amado sem conhecer
o oposto disso primeiro.
E eu fiquei pensando no período dessas férias de verão. Sei lá. Foi legal ter ficado sozinha mesmo, em vários sentidos. Grande parte do que eu sou agora eu construí nesse pequeno intervalo de tempo. Foi legal ir em festas realmente esperando nada. Tipo sair de casa sem nenhuma preocupação, sem nem sentir o prazer que a ansiedade pode vir a trazer, simplesmente indiferente. Quando você não espera muito de alguma coisa, a decepção ganha pequenas probabilidades de acontecer. Mesmo que durante a festa a coisa mude de figura, foi bom.
Eu ando ouvindo muito Cranberries e Sixpence None the Richer. Essa última banda, na verdade, tem umas musiquinhas com mensagens bem hum "de Messias". Sei lá. mas é legal encarar isso pelo outro lado. E são músicas com letras, eu me encaixo e isso me faz bem. Tipo Sonata Arctica, Dashboard Confessional e Belle & Sebastian. São bandas com músicas muito "Ivy's". São músicas que até me deixam triste, mas me confortam. Tipo a primeira vez que eu ouvi falar de RPG. Mesmo que eu não jogue ou coisa assim, foi realmente bom saber que existiam outros seres felizes como eu.

Oasis também é bom. Sei lá, lembrei hoje da minha antiga professora de inglês da Wizard. Ela era fã de U2, do Bono e essa coisa toda. E eu tinha um colega que gostava muito de Coldplay. Eu me sinto mal, porque Coldplay tem músicas que realmente têm significado pra mim, só que me irritam às vezes por causa desse guri. Se eu não gosto de uma pessoa, procuro desprezar tudo que possa vir a lembrar ela. O lance do Bono foi ao contrário. Eu tenho amigos que gostam dele e tudo, mas sei lá. A pose de caridoso dele não me convence. A mulher quase pulava em cima de mim quando a gente ficava dialogando sobre sorte, otimisto e, sei lá, solidariedade. Eu lembro dela dando uns argumentos muito ruins e louvando o Bono, para criticar a índole da Madonna. Eu nem sou fã da Madonna, mas eu defendi ela. Fora que ela disse que eu só vestia preto e deveria deixar o amor penetrar na minha vida, algo parecido.
Por sorte, ela arranjou um quarentão para levá-la embora da casa da mãe dela. Eu queria dizer nada. "Deixa o amor entrar na tua vida, sua mala. Aliás, abre beee
em a porta... isso, tu me entendeu muito bem." Não que eu não acredite totalmente no 'power of love', mas eu me estresso quando eu estou no meu canto e chega alguém querendo pregar alguma coisa. E eu não acredito em sorte. Desde que o mundo é mundo e nada é por acaso a sorte não existe. Não me venham com pesquisas e provas, não vou nem ler. E o cara que gostava de Coldplay nem honrava a banda, porque ele era do tipo que tinha cd's de toda e qualquer banda de pop meloso que conseguisse colocar uma música pra tocar no rádio.
Às vezes me dá um nojo de todo mundo. E, hoje, quando eu estava voltando pra casa, me deu uma vontade desesperada de chorar, sei lá. Me jogar numa moita e me esconder de todo mundo. Eu lembro quando a minha mãe começou com umas crises, do tipo "filha, acho que estou com síndrome do pânico", e ia no psiquiatra. Eu sabia o real motivo dela precisar de ajuda, e era uma merda não poder chegar e conversar. Ou quando meu pai estava todo depressivo e blá. Daí ele se jogou em médiuns e coisa e hoje é um pagodeiro feliz (isso foi uma merda, porque ele escutava bastante rock; mas vale pelo outro lado). A minha avó é a mais emociona
da. Ela quer que eu procure ajuda para parar de roer unha, quer me benzer, quer que eu vá em psicólogos espíritas e me diz "use camisinha". Eu já não sei de mais nada.
Fiquei feliz por baixar "Fur Elise", do Mozart. É a música da caixinha, que era da minha outra avó. Foi uma história loser, porque ninguém se prestou a me contar direito a história da morte dela. Até o nome, de verdade, eu descobri há um tempo atrás. Ainda que seja o repertório de várias caixinhas de música, sei lá. Era tão única. Tocava tão alto, e tinha uma bailarina dentro que girava. Eu quase me matei quando eu quebrei a bonequinha. E ela não toca mais. Mas é linda. Por fora tem umas coisas chinesas, acho que uma mulher e seu guarda-chuvas florido, não lembro. Faz tempo que não olho. Eu lembro de ter uns quatro anos e ficar segurando bonequinhos de gesso, como se mostrando para o céu. Eu falava um monte com minha avó depois que ela morreu. Eram bonequinhos de gesso do "Circo da Eliana".
Sei lá porque eu estou dizendo isso. A verdade é que eu estou com medo.


2 comentários:

gui¬¬ disse...

medo? nhááá
Ivy, eu realmente curti muito mesmo esse ultimo post. parece que a gente combinou, pq me pareceu tão familiar com os meus pensamentos...com as minhas dúvidas

Eu falei de acaso, de padre e alguma coisa parecida no meu blog háááá... Sixpence None the Richer é muito legal, principalmente aquela musiquinha-antiguinha-bonitinha que diz tipo 'hey now, heyyyyy now' no refrão. hahahaha tem alguma coisa com "Dreams" no nome da musica. Tipo "o sonho acabou" mas sei lá. Fiquei pirado depois que eu descobri que hey now significa 'te liga'. Cara, como isso? mas enfim...

usuhsuahsuash eu me empolgo pra falar e falo umas coisas nada a ver rsrsrs...o que eu queria comentar mesmo é outra coisa, mas não lembro agora. Eu ando bastante espiritualizado e confusinho mesmo. E filosófico e tal. e há, bem, eu queria dizer alguma coisa mas a inspiração não veio. Sei lá. Queria dividir minhas duvidas, minhas incógnitas contigo. E só pra terminar, dizer que eu adoro vc e tipo, espero ter uma amizade mais profunda contigo um dia.

Beijão ivy!!
(nhááá tô lendo Renato Russo de A a Z!!! puxa puxa puxa, o Renato é muito maneiro! XDDD)
*.*

Ivy disse...

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Cranberries - Don't dream it's over